Os hebreus eram um povo de origem
semita[1]que
habitava, por volta de 1800 AC, uma região às margens do rio Eufrates. Aliás, o
termo hebreu significa "gente do outro lado do rio”, assim designado pelos
demais povos que lhe foram contemporâneos. O monoteísmo, que orientou a
religiosidade do povo hebreu, influenciou as três grandes religiões monoteístas
do mundo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, todas com raízes semitas.
As informações a respeito desse povo decorrem
dos relatos bíblicos, especialmente do Antigo Testamento, das pesquisas
arqueológicas[2] e
das obras de historiadores judeus.
O livro do Gênesis narra a epopeia do
povo hebreu e de seus patriarcas. O primeiro patriarca, Abrão, em 1800 A.C.,
sob a inspiração de Deus, conduziu o povo da cidade de Ur, na Caldéia[3],
até Canaã, terra prometida (Gn 11, 31), onde mana leite e mel (Ex 3, 8.17;
13,5; 33, 3). A Palestina representa essa terra abençoada, porquanto comparada
com os desertos da Arábia, apresentava-se como um verdadeiro paraíso.
Na Palestina, os hebreus viveram por
dois séculos, dedicando-se à agricultura e ao pastoreio. Com a morte de Abraão,
seu filho Isaac (Gn 25, 11) assumiu a responsabilidade perante o povo, sendo
substituído, mais tarde, por Jacó, que teve seu nome alterado para Israel (Gn
35, 10). Jacó teve 12 filhos, originando as 12 tribos de Israel. José, um dos
filhos de Jacó, foi vendido, por seus irmãos, aos egípcios (Gn 37, 28). No
Egito, José ocupou posição de destaque junto ao faraó (Gn 41, 40) e usou de sua
influência para permitir que lá entrassem os seus compatriotas, quando a seca e
a fome assolavam a Palestina (Gn 47, 5).
Os hebreus viveram no Egito pelo
período de 300 e 400 anos, aproximadamente, multiplicando-se de tal forma que
se tornaram numerosos e poderosos, de modo que o país ficou repleto deles
(Êxodo 1,7). Na época, o atual rei do Egito, que não conhecera José, ficou
preocupado com o crescimento desse povo e decidiu limitar o seu poder e
crescimento, impondo-lhes severos tributos e trabalhos, e dura servidão (Êxodo
1:14). Além da escravidão pelo trabalho, o Faraó determinou as parteiras
matassem os recém-nascidos, deixando sobreviver apenas as meninas (Êxodo1:17).
A história do povo hebreu começa a ganhar destaque a partir do momento em que
resolvem sair do Egito e, sob a liderança de Moisés, voltar a Canaã.
Esse retorno é conhecido como êxodo, e
durou cerca de 40 anos. Ainda, de acordo com esse relato, teria sido durante
essa viagem que Moisés, no alto do monte Sinai, recebera de Iahweh a tábua dos
dez mandamentos (Ex 20, 1s), para guiar o comportamento do seu povo.
Os hebreus chegaram à Palestina sob a liderança de Josué, ante a morte
de Moisés, no meio do caminho. Depois de alguns embates com os povos que
ocupavam o território (a terra prometida), os israelitas se estabelecem na
Palestina.
O povo hebreu estava dividido, nessa época, em 12 tribos, e viviam em
clãs sob o comando de um patriarca. Posteriormente, por ocasião dos combates
pela conquista da terra prometida, sentiram a necessidade de ter o poder e o
comando sob a responsabilidade de chefes militares, os quais passaram a ser
conhecidos como Juízes. As principais lideranças deste período foram os juízes
Sansão, Otoniel, Gideão e Samuel, todos considerados enviados de Jeová, para
comandar os Hebreus.
Posteriormente, a divisão política entre as tribos levou a necessidade e
se estabelecer uma unidade política, com a centralização do poder nas mãos de
um monarca – Rei -, que exercia as funções de chefe político, militar e
religioso. Saul foi o primeiro rei dos Hebreus, seguido por Salomão e Davi,
sendo esses os principais reis.
[1] O termo semita tem como principal designação o conjunto
linguístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se
destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais. A
origem da palavra semita vem de uma expressão no Gênesis e referia-se a
linhagem de descendentes de Sem filho de Noé.
[2] No ano de 1947 foram descobertos pergaminhos em cavernas às
margens do Mar Morto (os Manuscritos do Mar Morto), possibilitando a coleta de
maiores informações sobre os hebreus. Esses pergaminhos foram deixados por uma
comunidade que viveu ali por volta do século I A.C
[3] Segundo a Wikipédia, Ur dos Caldeus foi uma cidade da Mesopotâmia
localizada a cerca de 160 Km da grande Babilônia, junto ao rio Eufrates,
habitada na Antiguidade pelos caldeus e que, de acordo com o livro de Gênesis,
foi a terra natal do patriarca dos hebreus Abraão, considerada também a maior
cidade de sua época. Durante o reinado de Hamurabi, Babilônia, vivendo em Ur os
hebreus eram agrupados em clã sendo dirigidos por um patriarca.
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