quinta-feira, 7 de junho de 2018

Civilização hebraica: breve abordagem histórica e espírita



Os hebreus eram um povo de origem semita[1]que habitava, por volta de 1800 AC, uma região às margens do rio Eufrates. Aliás, o termo hebreu significa "gente do outro lado do rio”, assim designado pelos demais povos que lhe foram contemporâneos. O monoteísmo, que orientou a religiosidade do povo hebreu, influenciou as três grandes religiões monoteístas do mundo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, todas com raízes semitas.
As informações a respeito desse povo decorrem dos relatos bíblicos, especialmente do Antigo Testamento, das pesquisas arqueológicas[2] e das obras de historiadores judeus.
O livro do Gênesis narra a epopeia do povo hebreu e de seus patriarcas. O primeiro patriarca, Abrão, em 1800 A.C., sob a inspiração de Deus, conduziu o povo da cidade de Ur, na Caldéia[3], até Canaã, terra prometida (Gn 11, 31), onde mana leite e mel (Ex 3, 8.17; 13,5; 33, 3). A Palestina representa essa terra abençoada, porquanto comparada com os desertos da Arábia, apresentava-se como um verdadeiro paraíso.
Na Palestina, os hebreus viveram por dois séculos, dedicando-se à agricultura e ao pastoreio. Com a morte de Abraão, seu filho Isaac (Gn 25, 11) assumiu a responsabilidade perante o povo, sendo substituído, mais tarde, por Jacó, que teve seu nome alterado para Israel (Gn 35, 10). Jacó teve 12 filhos, originando as 12 tribos de Israel. José, um dos filhos de Jacó, foi vendido, por seus irmãos, aos egípcios (Gn 37, 28). No Egito, José ocupou posição de destaque junto ao faraó (Gn 41, 40) e usou de sua influência para permitir que lá entrassem os seus compatriotas, quando a seca e a fome assolavam a Palestina (Gn 47, 5).
Os hebreus viveram no Egito pelo período de 300 e 400 anos, aproximadamente, multiplicando-se de tal forma que se tornaram numerosos e poderosos, de modo que o país ficou repleto deles (Êxodo 1,7). Na época, o atual rei do Egito, que não conhecera José, ficou preocupado com o crescimento desse povo e decidiu limitar o seu poder e crescimento, impondo-lhes severos tributos e trabalhos, e dura servidão (Êxodo 1:14). Além da escravidão pelo trabalho, o Faraó determinou as parteiras matassem os recém-nascidos, deixando sobreviver apenas as meninas (Êxodo1:17). A história do povo hebreu começa a ganhar destaque a partir do momento em que resolvem sair do Egito e, sob a liderança de Moisés, voltar a Canaã.
Esse retorno é conhecido como êxodo, e durou cerca de 40 anos. Ainda, de acordo com esse relato, teria sido durante essa viagem que Moisés, no alto do monte Sinai, recebera de Iahweh a tábua dos dez mandamentos (Ex 20, 1s), para guiar o comportamento do seu povo.
Os hebreus chegaram à Palestina sob a liderança de Josué, ante a morte de Moisés, no meio do caminho. Depois de alguns embates com os povos que ocupavam o território (a terra prometida), os israelitas se estabelecem na Palestina.
O povo hebreu estava dividido, nessa época, em 12 tribos, e viviam em clãs sob o comando de um patriarca. Posteriormente, por ocasião dos combates pela conquista da terra prometida, sentiram a necessidade de ter o poder e o comando sob a responsabilidade de chefes militares, os quais passaram a ser conhecidos como Juízes. As principais lideranças deste período foram os juízes Sansão, Otoniel, Gideão e Samuel, todos considerados enviados de Jeová, para comandar os Hebreus.
Posteriormente, a divisão política entre as tribos levou a necessidade e se estabelecer uma unidade política, com a centralização do poder nas mãos de um monarca – Rei -, que exercia as funções de chefe político, militar e religioso. Saul foi o primeiro rei dos Hebreus, seguido por Salomão e Davi, sendo esses os principais reis.


[1] O termo semita tem como principal designação o conjunto linguístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais. A origem da palavra semita vem de uma expressão no Gênesis e referia-se a linhagem de descendentes de Sem filho de Noé.
[2] No ano de 1947 foram descobertos pergaminhos em cavernas às margens do Mar Morto (os Manuscritos do Mar Morto), possibilitando a coleta de maiores informações sobre os hebreus. Esses pergaminhos foram deixados por uma comunidade que viveu ali por volta do século I A.C
[3] Segundo a Wikipédia, Ur dos Caldeus foi uma cidade da Mesopotâmia localizada a cerca de 160 Km da grande Babilônia, junto ao rio Eufrates, habitada na Antiguidade pelos caldeus e que, de acordo com o livro de Gênesis, foi a terra natal do patriarca dos hebreus Abraão, considerada também a maior cidade de sua época. Durante o reinado de Hamurabi, Babilônia, vivendo em Ur os hebreus eram agrupados em clã sendo dirigidos por um patriarca.


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